terça-feira, 14 de outubro de 2008

Câncer de mama: cuidados e prevenção

Ele é a segunda maior causa de morte na população feminina, embora as chances de cura possam chegar a 80% quando a doença é detectada no início
Glycia Emrich

O número absurdo de mortes é, sim, por falta de cuidado. Não da mulher com ela mesma, afinal, o buraco é mais embaixo. “O número de mulheres que se submetem a um diagnóstico avançado é pequeno”, lamenta o doutor Ivo Carelli Filho, presidente regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Mastologia. “Nem todas têm acesso às consultas e exames ou não possuem motivação para fazê-los. Principalmente, quando consideramos a população de baixo nível sócio-econômico, que infelizmente encontra enormes dificuldades para conseguir atendimento médico no hospital público. Esta é uma questão que não diz respeito à desinformação, mas é uma questão social”, complementa o médico.
O auto-exame da mama
O primeiro sinal de alerta é o aparecimento do nódulo ou tumor. Mas para detectar qualquer coisa diferente, é super importante que você esteja bem familiarizada com a sua mama. Qualquer coloração diferente, retração ou até pequenos nódulos nas axilas, vale ficar de olho.
Mas se engana quem faz o auto-exame e acha que isto é tudo. Ele é indispensável, mas é apenas o primeiro passo. A partir da detecção de um nódulo no seio, a jornada ainda é longa: é preciso passar por consultas periódicas com um mastologista e iniciar um tratamento.
Claro que quem tem um excelente convênio médico geralmente consegue ser diagnosticada em fase precoce – o que não é o caso da maioria das brasileiras. Para a população carente o acesso não é fácil. “O número de pacientes que aguardam o tratamento é grande. Para chegar a ele, a mulher precisará buscar atendimento na unidade básica de saúde, será encaminhada para o hospital geral para finalmente chegar a um hospital especializado. Esse percurso pode levar até seis meses”, observa o doutor.
Boa notícia
A mamografia, que permite a detecção precoce do câncer já era realizada em hospitais públicos, gratuitamente, somente para mulheres a partir de 50 anos. Agora, a partir dos 40 anos, já é possível fazer. “É uma mudança importante, pois é possível atingir um maior número de mulheres, aumentar o número de diagnósticos precoces e diminuir as taxas de mortalidade”, comemora Carelli.
Mas essa comemoração é feita com bastante cautela. Apenas detectar a doença é tapar o sol com a peneira: “A rede pública dará vazão a todos os exames alterados? Após o diagnóstico e a realização do exame, haverá tratamento para todas as pacientes?”, indaga o médico.
E até a própria mama de uma pessoa mais jovem, por se apresentar diferente da mulher acima de 50, dificulta a obtenção de resultados mais certeiros. “Mas essa é uma questão polêmica em todo o mundo”, emenda ele. “A mulher jovem possui uma mama branca e seu seio é composto em sua maior parte por tecidos que produzem leite, o que dificulta o diagnóstico, já que o tumor também é branco. Durante a menopausa, este tecido é substituído em sua maior parte por tecido adiposo, mais escuro. Assim, o exame ganha maior confiabilidade”
Tratamentos
O tipo de cuidado escolhido pelo médico depende muito de cada caso. Em necessidade de cirurgia, a escolha pelo método varia de acordo com o tamanho do tumor. Geralmente, a paciente é submetida a esses tratamentos:
- Cirurgia para remoção do tumor- Quimioterapia- Radioterapia- Tratamento Hormonal
Lembre-se que nem toda alteração mamária é sinal de alguma possibilidade de câncer. Por isso, é extremamente importante que toda mulher faça consultas periódicas ao médico.

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