quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Quando bate o ciúme do irmão mais novo
Pais devem dar espaço para filho mais velho se manifestar.E, sempre que possível, devem afirmar seu amor.




Uma questão delicada na vida das crianças é quando um irmão está para chegar, principalmente quando é filho único. Surgem sentimentos de insegurança e medo – as crianças temem perder o amor dos pais para esse novo membro da família. Afinal, por que eles precisam de outro filho? Na tentativa de assegurar esse amor, cada criança manifesta sua angústia de uma maneira. Algumas adoecem, outras se tornam agressivas ou podem apresentar uma queda no rendimento escolar. Mas o que os pais mais relatam é que os pequenos começam a apresentar comportamentos regredidos. Observam que voltam a chupar chupeta, molhar a cama e até falar como neném. Isso ocorre porque querem voltar a ser bebê para agradarem aos pais que desejam um. As crianças sofrem muito e os pais nem sempre sabem como agir. Muitas vezes não as entendem e acham que estão exagerando ou coisa parecida. Mas elas sofrem muito e precisam da ajuda dos pais – que, por sua vez, também estão num momento crítico que é o de receber um bebê. Para que as coisas se dêem de uma forma tranqüila para todos, é importante que os pais tenham para si que a situação é complicada para os pequenos. É preciso começar a prepará-los durante a gestação, como os pais também se preparam. Nada de dizer que as coisas serão fáceis, que tudo será gostoso e que nada mudará. Não é verdade.
Ter um irmão tem o lado gostoso – alguém com quem brincar e dividir seus segredos. Mas tem um lado mais difícil. Um bebê exige muita atenção dos pais, que muitas vezes terá de ser socorrido e o filho mais velho terá que esperar. Os espaços também serão divididos. Nada será como antes, mesmo que os pais se esforcem para que seja. Um espaço para que os filhos mais velhos expressem seus sentimentos é de grande ajuda. Sejam eles positivos ou negativos. A maior parte das crianças não terá os melhores sentimentos, principalmente em relação ao bebê. Quando os filhos puderem dizer o que sentem sem recriminação, além de colocarem a angústia para fora, não precisarão expressá-la de uma outra forma.
Como manifestar a raiva
Aquilo que não sai pela boca sai de uma outra forma, como um soco, por exemplo. Sim, os pequenos agridem seus irmãos fisicamente e isso não deve ser permitido. Precisa ficar muito claro que é possível sentir coisas ruins pelo irmão ou pelos pais e dizê-las. Jamais atuar. E quando as crianças estiverem com muita raiva, que procurem o pai ou a mãe para conversar. Atitudes assim propiciam que as crianças se sintam compreendidas e aceitas em seus sentimentos, sem precisarem se culpar por não amarem os irmãos 100% do tempo. Por isso, nada de mandar a criança dizer que ama o irmãozinho. Caso isso ocorra, quando seu filho perceber que está num momento de ódio, a angústia terá uma grande chance de aumentar. Não vamos tampar o sol com a peneira: para ninguém é tranqüilo dividir um espaço. Ainda mais um espaço emocional. É só imaginar se nosso marido ou mulher resolve trazer outro (ou outra) para dentro de casa - a situação não será nada gostosa. E deve ser assegurado o amor que os pais têm pelo filho mais velho. Saia com ele sem o bebê quando possível, evite falar do novo filho ou perder metade do passeio procurando um presente para o irmãozinho. Só o mais velho deverá existir naquele momento. No caso de o filho mais velho de apresentar os comportamentos regredidos, o melhor é valorizar aquilo que faz parte da sua idade. Tomando como exemplo uma criança em fase de alfabetização, uma dica é se interessar pelos seus progressos na escrita, valorizando essa atividade. Que as crianças sofrerão com a vinda de outro irmão, não há dúvida. Por mais que as preparemos, não será possível eliminar seu sofrimento. O melhor é enfrentar a situação de frente, ajudando-as a vivenciar da melhor maneira possível esse momento.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL800672-5604,00.html

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