quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O que é a Dermatite atópica.

Origem
A dermatite atópica é uma doença alérgica, que pode ocorrer isoladamente ou em concomitância com outros quadros alérgicos, como asma, rinite, urticária. Das crianças que se curam após os 10 anos, muitas desenvolvem uma ou mais dessas outras doenças, como se permanecesse o estado alérgico com outro tipo de manifestação.
Quadro dermatológico extremamente incômodo para o paciente e para a família é a dermatite atópica. Trata-se de um tipo de eczema, que surge geralmente aos dois ou três meses de idade com uma distribuição generalizada, tornando-se, no seu desenvolvimento típico, circunscrito a poucas áreas na criança maior. Casos há em que o acometimento geral da pele se prolonga pela vida adulta.
A doença se inicia por um aspecto avermelhado e ressecado da pele. A seguir, aparecem escoriações, provocadas pelo ato de coçar, pápulas e pequenas bolhas, que geram exsudação. As alterações afetam as faces do rosto e a fronte, o pescoço e as dobras e, às vezes, grandes extensões da pele. A evolução se dá por períodos de exacerbação entremeados com fases de diminuição ou desaparecimento das lesões num curso crônico.
Geralmente, aos dois ou três anos, a criança tem alterações restritas à dobra dos cotovelos e à região atrás dos joelhos que, em fases de regressão, apresentam coloração esbranquiçada e aspecto ressecado. Cerca de metade dos pacientes pode ficar livre da doença entre os 10 e os 15 anos de idade.
As crianças com dermatite atópica produzem anticorpos do tipo IgE, desencadeados por ação de antígenos de variadas origens, principalmente antígenos ambientais. A pele tende ao ressecamento e é muito sensível a contato com produtos químicos, especialmente sabões, que aumentam o ressecamento e a sensibilidade. Com muita facilidade, a pele do atópico é infectada pelo estafilococo dourado, fato que concorre para manter e agravar o quadro clínico.
No processo inflamatório típico estão presentes diversos mensageiros químicos, liberados por terminações nervosas ou produzidos por células imunitárias. Além disso, há uma marcada influência dos estados emocionais e a própria dermatite condiciona certos aspectos da personalidade pelas dificuldades que causa aos pacientes.
Por outro lado, o paciente com dermatite atópica adquire certos traços de personalidade decorrentes do incômodo constante causado pela inflamação da pele e pela coceira intensa. Ele é descrito como irritável, exigente e infeliz; precisa de muito mais carícias e contato físico do que a média das crianças.
Na infância, há ainda o problema dos familiares. Estes tendem a considerar o atópico uma pessoa com deficiência e dão exagerada atenção a sua condição cutânea, muitas vezes superportegendo-o ou criando-lhe incapacidades e falta de confiança. Os pais e parentes próximos devem ser orientados a não estimular atitudes de dependência para não facilitar a criação de condições para manipulação dos outros pela criança.
É preciso dar o cuidado devido ao problema, aplicar os medicamentos com carinho e delicadeza e sugestionar a criança sobre seu poder de controlar certa parte da alteração de sua pele sabendo que, com o passar do tempo, é grande a probabilidade de melhora, podendo mesmo o paciente ficar livre da dermatite.

Como se trata?

Por não existir nenhum recurso para a cura definitiva, o objetivo do tratamento deve ser o controle da afecção, enquanto se aguarda por uma possível involução espontânea da dermatose. Assim, o tratamento deve ser orientado para diminuir a sintomatologia e a reação inflamatória, reconhecendo, afastando ou excluindo fatores que agravam o quadro.
A hidratação cutânea é ponto fundamental no tratamento. Podem ser utilizados os antiinflamatórios tópicos (creme ou pomadas de corticosteróide), anti-histamínicos por via oral, para controlar a coceira e diminuir as erupções na pele. Os imunomoduladores e imunossupressores também são indicados para auxiliar no tratamento.
Como se previne?

Não há mecanismo de prevenção, mas a dermatite atópica pode ser controlada através de cuidados com a exposição a fatores que possam desencadear a afecção.

Hereditariedade
Há várias evidências de que a hereditariedade esteja envolvida:
1 • Um estudo brasileiro mostrou que 80% dos pacientes têm casos de alergia entre os familiares próximos;
2 • Em gêmeos univitelinos ou iguais, quando um dos irmãos tem dermatite atópica, em 70% a 80% dos casos o outro também é acometido. Quando os gêmeos são diferentes, essa porcentagem cai para cerca de 20%;
3 • Quando a mãe é afetada, o risco de transmissão para o filho é 4 vezes maior do que quando o pai é portador;
4 • Quando um dos pais é acometido, a probabilidade de o filho desenvolver a doença é de 56%; quando pai e mãe têm a doença, essa probabilidade aumenta para 81%.
Como surge a doença
A pele é a barreira que protege os órgãos internos do contato com o ambiente. Suas camadas mais externas estão sujeitas a alterações do clima e a agressões por agentes químicos e biológicos capazes de modificar seu nível de hidratação, sua estrutura e composição bioquímica. Substâncias estranhas com as quais entramos em contato (antígenos) ou aquelas liberadas pela flora microbiana da pele podem estimular a fabricação de anticorpos e mediadores químicos que, em indivíduos predispostos, criam uma cascata de reações que agride a barreira e provoca o aparecimento das lesões pruriginosas. O ato de coçar pode agravar o processo inflamatório.
Fatores desencadeantes
Podem desencadear o aparecimento das lesões com coceira, características do quadro:
1• Alimentos: têm papel controverso; os mais implicados são ovos, leite, trigo, soja, peixe, amendoim;
2• Alérgenos aéreos: exposição aos ácaros da poeira domiciliar;
3• Contato da pele com certas bactérias ou fungos;
4• Dermatite de contato: níquel e outros metais, derivados da borracha, conservantes, amaciantes, detergentes, produtos de limpeza, roupas de lã e tecidos sintéticos;
5• Frio intenso e ambientes secos;
6• Calor e transpiração;
7• Estresse emocional.

Fontes:

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